domingo, 28 de novembro de 2010

"Família é prato difícil de preparar"


(do livro "O Arroz de Palma",de Francisco Azevedo)


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

sábado, 13 de novembro de 2010

Obrigada

Semana passada concluí minha pós-graduação em Arteterapia.
Quem passa por mim nessa vida percebe o quanto amo que faço. E é pra todos estes sonhos que guardo meu amor.
Pra todos estes sonhos e todas as pessoas ao meu lado, que me ajudam a realizá-los!
Obrigada!


video

Música de Nando Reis - "Pra você guardei o amor"

Espaço, Arte e Psicomotricidade

A Psicomotricidade é, antes de tudo, uma prática que através da abordagem do corpo e do movimento, objetiva atuar sobre a globalidade do ser biofisiologicamente, afetivamente, cognitivamente, pulsionalmente, fenomenologicamente e socialmente. (MORAIS, 1990)

Turma do décimo período (manhã) de Psicologia da Fumec
durante vivência "Espaço, Arte e Psicomotricidade".


A psicomotricidade está fundamentada num princípio tríptico que considera o corpo, o tempo e o espaço. Inicialmente, é impossível pensar psicomotricidade sem considerar estas três dimensões. Os estudos sobre Psicomotricidade também se referem à educação psicomotora, que tem como objetivo não só a descoberta do próprio corpo e capacidade de execução do movimento, mas ainda a descoberta do outro e do meio ambiente, utilizando melhor suas capacidades psíquicas, facilitando a aquisição de aprendizagens posteriores.



Com relação ao tema espaço, observa-se que a psicomotricidade contribui com atividades que possibilitam a estuturação espacial da criança e seu corpo. Neste sentido, a arte-educação oferece atividades e linguagens plásticas e expressivas que complementam este trabalho.



Toda criança gosta de Arte e sente prazer em se expressar através das variadas modalidades artísticas. Quando faz isso, explicita seu desenvolvimento intelectual, emocional e perceptivo, e constrói suas representações de si e do mundo à sua volta. A maneira como ela representa o espaço em suas produções plásticas também diz respeito à forma como ela se comporta em relação ao espaço à sua volta. Desenho pequeninos que não ocupam todo o papel e quase somem na imensidão da folha podem representar timidez e dificuldade em se relacionar, ou seja, demonstram que a criança não aproveita com efeito o espaço disponível. Ao contrário, desenhos que não cabem no papel podem representar falta de limites ou dificuldade em lidar em espaços pré-determinados.




Atividades da arte-educação podem propor a experimentação do espaço através dos trabalhos produzidos em superfícies com tamanho, forma e textura variados. Sendo assim, pode-se considerar como uma aliada da Psicomotricidade no que se refere à elaboração e percepção da noção espacial da criança.



** MORAIS, V. B. C. Epistemologia das concepções psicomotoras. 1990